[Especial: Os 100 mais do Play 2] Persona 3

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[Especial: Os 100 mais do Play 2] Persona 3

Mensagem por Dalcy Junior em Sex 3 Out 2008 - 15:02

Persona 3 - Um RPG perfeito



Review:
O Japão tem um problema histórico com suicídios, fato que tem ficado ainda mais claro com o fenômeno de "clubes de suicídio". Mas um grupo em específico chama mais atenção: adolescentes que acabam deprimidos pelas enormes imposições de uma das sociedades mais exigentes do mundo, dando cabo da própria vida por não conseguir sucesso acadêmico enquanto encontram problemas para se relacionar em meio a um povo conhecido por ser socialmente reprimido. A Atlus lança mais um episódio da série Shin Megami Tensei, famosa por seus RPGs com temas controversos e subtexto mitológico - mais precisamente, da subsérie Persona, que se foca em adolescentes modernos em plena vida escolar e na simbologia do Tarô.

Persona 3 narra as aventuras de um adolescente que acaba de ser transferido para uma nova escola em uma área metropolitana japonesa. Chegando ao dormitório onde ele ficará hospedado ele conhece um grupo de estudantes com um passatempo diferente: caçar sombras na "Hora Negra", um intervalo imperceptível para humanos normais que acontece durante a meia-noite. Quando essa hora chega, as pessoas comuns se transformam em caixões e podem ter suas almas roubadas. Apenas os heróis com a habilidade inata de invocar suas Personas - uma parte da sua psiquê que se manifesta como monstros com poderes mágicos - mantém sua consciência e podem enfrentar as Sombras. Para trazer suas Personas à tona, porém, eles devem apontar pistolas (as Evokers) para suas próprias cabeças e atirar, o que certamente gera uma imagem bastante perturbadora. Tendo enfrentado essa dificuldade, o personagem principal se junta aos seus colegas de dormitório para explorar o Tartarus, uma torre misteriosa que surge no pátio da escola a cada Hora Negra.

Enquanto a maioria dos jogos transformaria isso em uma repetitiva exploração de calabouços na mesma veia de Diablo e Dark Alliance, Persona 3 explora a vida escolar japonesa de uma maneira bastante criativa. Jogadores devem escolher como o protagonista usará seu tempo livre: ele pode estudar, passear pela cidade, sair com amigos, jogar um RPG online, entrar para um dos muitos clubes esportivos e artísticos, participar do conselho estudantil... e, é claro, encontrar tempo para descansar (ou corre o risco de ficar cansado ou doente), e ainda dar um jeito de explorar o Tartarus na Hora Negra. Tudo isso se dá dentro de um ano letivo que segue o calendário japonês, respeitando não somente os dias da semana, mas também os feriados nacionais desse país.

Mas se tudo isso pode parecer uma enorme perda de tempo, a maneira como você investe seu tempo é o coração da experiência. Além de garantir habilidades específicas como Coragem, Charme e Escolaridade (diferentes dos atributos de combate), a maneira como você se relaciona com outras pessoas tem um impacto direto no game. Cada relacionamento que você cultiva é simbolizado por um dos arcanos maiores do Tarô, e quanto mais você se aproxima de cada personagem, mais aumenta seu vínculo... e o seu poder com Personas desse arcano. Curiosamente, o seu protagonista é o único capaz de não apenas carregar múltiplas Persona consigo, mas também fundir múltiplas delas em novas entidades com poderes maiores.

No começo, essa necessidade de gerenciar os cronogramas do herói são mais gerenciáveis, mas logo você vai ficando ansioso quando a primeira temporada de provas vai se aproximando. Não muito depois, você provavelmente já terá feito vários amigos, e muitos deles podem querer sua atenção ao mesmo tempo, e você acaba forçado a fazer escolhas - e, se não tomar cuidado, pode até acabar perdendo sua conexão.

Esse malabarismo de vida acadêmica, vida social e salvar o mundo parece uma excelente representação da juventude nipônica, e faz a cerimônia de invocar a Persona ganhar uma significância menos gratuita do que pode parecer à primeira vista. Com um dos raros RPGs a se ambientar na sociedade atual, o game brilha em recriar essa atmosfera: você compra acessórios em uma loja de jóias, suas armas são vendidas por um contato do seu grupo secreto na polícia... tudo se encaixa no panorama proposto. E tudo isso é amarrado com uma excelente direção de arte com um visual de designer de alta qualidade.



Mas a qualidade da produção não pára na interface. A trilha sonora do tradicional compositor Shoji Meguro não poderia ser mais apropriada, misturando doses iguais de música hip-hop e clássica que se encaixam em cada situação. Apesar do designer de personagens ter deixado o aclamado Kazuma Kaneko para trás, ele é substituído com excelência por Shigenori Soejima (responsável pelos designs de Trauma Center do Wii), que mantém o mesmo visual perturbador para as Personas.

Apesar de ser um dos mais palatáveis e acessíveis jogos com a carregar o selo Megami Tensei, Persona 3 não é exatamente um título voltado para o público casual. As batalhas no Tartarus permitem apenas que você controle o protagonista, dando ordens genéricas para seus três colegas. Jogadores podem escolher suas ações com calma em um sistema baseado em turnos, sendo que existe uma série de mecanismos de fraqueza e força baseado nos tipos de armas, elementos que regem as Personas e outras variáveis. Sem cair em uma complexidade exagerada, o combate oferece bastante variedade e ritmo veloz - oferecendo até uma opção para passar o tempo rápido apenas usando ataques no caso de oponentes mais fracos. Uma opção de dificuldade "Fácil" abre uma brecha para jogadores com menos experiência, mas ainda exige alguma habilidade estratégica.

Não é coincidência que o protagonista de Persona 3 usa fones de ouvido e segue o padrão de "herói silencioso". Essa perspectiva de Tábula Rasa permite que você defina completamente o desenvolvimento dele - e encoraja o jogador a recomeçar o game diversas vezes para explorar todas as possibilidades. A tradicional opção New Game + (para recomeçar a aventura depois de terminá-la com algumas das habilidades mantidas) se encaixa como uma luva aqui, e aumenta ainda mais o potencial de estender o que já deve levar mais de 40 horas para ver um dos finais.

Persona 3 é um RPG que foge de quase todos os moldes tradicionais do gênero, colocando verdadeira representação em um formato que lembra bastante The Sims - mas sem comprometer os aspectos de sucesso que os fãs de Shin Megami Tensei tanto amam. Mesmo com toda a controvérsia da invocação das Personas, o game vale, no mínimo, como uma curiosa exploração do turbilhão que é a vida dos adolescentes japoneses modernos.




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